EXPEDIÇÃO CÂNION DO PICO DOS MARINS - 2001

Uma das minhas primeiras expedições, com logística bem mais simplificada que as atuais, mas sem dúvida uma das mais emocionantes e engrandecedoras. Em solitário, 1ª descida do Ribeirão do Passa Quatro a partir da nascente do Pico dos Marins, uma das mais altas do Brasil, expedição minimalista que na época resultou na exploração do cânion mais alto já percorrido no país (a partir dos 2.200 m.s.n.m.).

 

No total foram mais de 40 km de marcha, sendo que no primeiro dia acabei subindo até o cume em poucas horas, retornei até o estacionamento devido a aproximação de uma tempestade e subi novamente voando na sequência (correndo), fazendo em menos de uma hora o trajeto de cerca de quatro horas.

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Ao longo de dois quilômetros percorridos pelo acidentado cânion precisei rastejar centenas de metros por tocas e passagens tão estreitas que cheguei a entalar, realizar dezenas de rapéis usando apenas ancoragens naturais, saltar sobre intermináveis blocos e fendas profundas e rasgar uma das matas mais fechadas que eu já encarei... tendo que recuar várias vezes após horas de labuta. E depois de muito sofrer com forte sede, calor, dores e cansaço, decidi abortar o objetivo inicial de alcançar as distantes fazendas localizadas ao fundo do Vale do Paraíba e fui forçado a empreender uma desesperadora rota de fuga que incluiu escaladas sem corda (curtas, mas que me deixaram aterrorizado) e a travessia de uma sinistra garganta que me obrigou a instalar rapeis em duvidosas raízes e arbustos em paredes formadas por instáveis blocos e vegetação - jamais esquecerei a tensão e a quantidade de terra e pedras que tomei na cara durante a descida até o fundo de uma greta tão escura que precisei da lanterna para sair.

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Mas pior do que me esfolar entre ilhas de espinhais ou suar como um condenado, por noites intermináveis eu bivaquei entocado entre pedras úmidas e arbustos pontiagudos apenas protegido por um pedaço de lona plástica em madrugadas de até -10º C. Minimalista ao extremo, buscando o menor peso e volume nesta expedição, além de dispensar barraca, isolante e saco de dormir eu arrisquei ir apenas com uma cargueira, uma vestimenta de neoprene (incluindo finas botas de Mergulho que destruíram os meus pés após dezenas de quilômetros), uma camiseta e um casaco (sempre secos), uma corda semi-estática de apenas 16 metros (com certificação NFPA para aguentar afiadas quinas), um capacete com lanterna, meia dúzia de fitas e mosquetões (incluindo para um freio e uma cadeirinha improvisados), um jogo de entaladores tipo stopper, um kit de sobrevivência e Primeiros Socorros, lanches prontos (dispensando panela, fogareiro e combustível) e, lamentando mais que pela fome e sede, apenas uma câmera Sea & Sea Motormarine II, a minha velha guerreira Canon T-90 com uma lente 28-70 e uns 3 ou 4 "volumosos" filmes Kodak Ektachrome E100 VS.

 

Assim que alcancei as altas e seguras cristas da rota “normal” que leva ao cume do Pico dos Marins vibrei com mais um “nasci de novo”. E, cheirando como uma capivara, cambaleante devido à fraqueza e sugado devido aos duros dias e longas noites (emagreci uma média de um quilo por dia), retornei para casa comemorando pelo enorme aprendizado, que me fez evoluir em poucos dias mais do que em anos em uma cara faculdade. Presságio de novas explorações em cânions intocados? Quem sabe... Gratidão eterna à revista Adventure e as marcas Half Dome, MARES - just add water, SEA&SEA Underwater Imaging e By.

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