EXPEDIÇÃO PEDRA RISCADA - 2002

Abertura da "Vai, mas não cai não!" (6º VIIa E5 1.260 m), mais do que se consagrar como a maior via do Brasil - “uma das maiores das Américas” - uma rota que virou um ícone devido à sua alta exposição.

Após longos e duros dias que exigiram muito dos limites técnicos e psicológicos da equipe Kayak de Natura - coordenada pelo explorador documentarista Márcio Bortolusso e formada também pelos escaladores Chander Cristian, Oscar Andres, Leandro Oliveira e Breno Azevedo – o saldo do árduo "vai e vem" entre o Acampamento Base, o Avançado e o cume durante a expedição foi de 2.700 metros de ascensão em corda fixa e 3.100 metros de rapel para cada um dos cinco escaladores. Além dos 1.260 metros de via escalada em “livre”, juntos os expedicionários subiram e desceram pelas cordas fixas 29.000 metros em apenas oito dias, suficiente para destruir uma corda virgem, acabar com a comida e a água dois dias antes de alcançarem o cume e levar todos à exaustão.

Mas por fim... as imagens e as boas lembranças superaram os maus momentos. Bortolusso declara que tal rota “facilmente se tornou uma das escaladas mais marcantes” da sua vida - “na época eu disse que jamais ousaria repetir tal via, mas imagens das vertiginosas paredes de tal montanha fervilhando em minha mente por anos talvez um dia me façam mudar de ideia”.

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De tão ousada que foi esta expedição para a sua época, corre a lenda que até hoje apenas alguns membros de uma expedição estrangeira tentaram repetir esta rota, mas devido à acentuada distância das proteções (média de 26 metros, incluindo 9 enfiadas de 60 metros totalmente desprotegidas) desistiram por volta dos 500 metros alegando que tal escalada estaria "inacabada" e que a equipe Kaiak “não havia alcançado o cume”, já que não encontraram mais grampos pelo caminho. Resultado: após 14 anos desde quando esta incrível rota foi aberta uma das maiores escaladas das Américas ainda aguarda os seus primeiros repetidores.

Porém muito mais que a contribuição desportiva da via nesta emblemática montanha, o maior orgulho para Bortolusso pela organização deste projeto se deve às ações culturais e socioambientais realizadas, que além de trabalhos de conscientização - reuniões técnicas com o Prefeito e a Secretária de Turismo da pequena São José do Divino; palestras em feiras, encontros de montanhismo e na escola municipal; documentário, exposições e massiva divulgação na mídia, que ajudou a alçar o município para o mundo; inventário da importante mata do entorno e do cume da pedra (com amostras coletadas e analisadas por bióloga do projeto e envio de material para o Museu de Zoologia da USP e para a faculdade de Governador Valadares), etc. - contribuiu diretamente com o Tombamento da majestosa e seriamente ameaçada Pedra Riscada como Patrimônio Natural, após meses de conversas e envio de dados para a responsável por tão importante ação protecionista, a bióloga Raissa de Luca. Feito único no montanhismo brasileiro, em prol de um patrimônio não apenas dos escaladores, mas de toda a sociedade.

Projeto inédito e grandioso para época, tal expedição foi patrocinada pela Natura Cosméticos e teve o apoio das empresas DeWalt, Kailash, Snake, Solo, Photo & Cia, Pimenta Studio e Prefeitura Municipal de São José do Divino.

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